Por todo esse caminho eu fui exposto a muita coisa, e realmente passei por longos períodos de estabilidade, quero dizer que passei muito tempo fazendo a mesma coisa. A parte ruim de toda essa estabilidade foi pensar que tava fazendo a coisa mais certa das coisas certas do mundo sem me ligar que tava andando pro lado errado. Certo que tive sorte de não andar pra mais longe nas curvas tortas da estrada, mas me via nesse tipo de estabilidade do caminho errado, tipo, nas vezes que passava horas conversando com o Ócio e a Preguiça. Mas como foi dito, a Culpa me mostrou como a sensação de deixar o Tempo ir embora sem fazer nada era ruim. Mas aquela realmente não foi minha última conversa com a Culpa. Mesmo depois de ela ter mostrado onde eu tava errando e tal, apareceram várias outras situações em que eu me senti arrependido em ter perdido algumas oportunidades únicas, e ela me aparecia com todo aquele sermão de novo. Mas houve um tempo em que eu me via em situações realmente difíceis, e por muito tempo essa palavra foi o meu martírio: dificuldade. Quando eu via, mesmo de longe, que algo poderia ser difícil de ser feito eu já desistia, desistia sem nem tentar. A palavra logo fazia eu me sentir impotente, me dava logo frio na barriga, a mão ficava gelada e o coração batia desembestado, quase pulando pra fora da caixa. Tudo isso acontecia quando eu me via perto do Medo. O Medo foi mais forte do que eu várias vezes, me fazendo empacar, perder chances só pelo simples fato de alguma coisa parecer difícil, e, como se não bastasse, por sua culpa eu deixei o Tempo se distanciar em alguns momentos. Depois era só mais sermão da Culpa. Mas as coisas realmente mudaram, mudaram quando comecei a escutar coisas que me davam forças pra vencer o Medo. Explicando de novo: Eu escutei palavras que tinham forças maiores do que as forças do Medo, tipo, sempre que escutava elas sentia algo em mim que me fazia seguir mesmo que o Medo ficasse no meio. Foi mais ou menos quando comecei a escutar os gritos de uma cara que canta numa banda chamada Rise Against, já de cara o nome quer dizer algo do tipo “Se levantar contra”, tipo, passando a idéia de não só simplesmente aceitar alguma coisa por que querem que você aceite, você pode se levantar e ir contra, pois você tem a sua própria opinião, manjas? Enfim, ele me veio com frases do tipo: “Cadeiras arremessadas e mesas derrubadas, mãos armadas com garrafas quebradas, permanecendo sem chance de vencer, mas não fugiremos, não fugiremos” ou me conscientizando com algo tipo: “Quando o ar que respiramos se transformar no que nos sufoca... O que mais isso irá levar? Saberemos então que isso não é um teste” Me mostrando também que: “Todos nós já nos machucamos e já nos sentimos culpados, mas como sobrevivemos é o que nos faz ser o que realmente somos.” Ou tipo as palavras dessas frases, que são as frases que mais mexem comigo, me dando um tipo de combustível diferente, diferente daquele que a Felicidade dá, mas com a mesma finalidade, e ele grita: “Simplesmente porque você pode respirar não significa que esteja vivo... Nós vivemos com medo de nosso próprio potencial, vencer, perder, está tudo em nossas mãos agora... Uma necessidade de uma revolução está surgindo, vindo até a superfície, buscando por ar... Um dia eu transformarei esses pensamentos em gritos para um mundo que virou suas costas para mim.” E sempre que escuto esses gritos eu me sinto alimentado por um combustível que dá realmente mais forças pra desafiar qualquer coisa, mesmo que essa coisa venha acoplada da palavra “Difícil”, pois hoje ela já não é mais meu martírio, na hora que a vejo acoplada a alguma situação só me dá é mais vontade de tentar desenrolar essa tranquêra, pois sinto que ela tá é me desafiando, e hoje os desafios não são mais o problema, pois aquelas palavras me ensinaram a gostar de me desafiar, elas me apresentaram à Coragem. Outros gritos também ajudaram, como os do cara do “Peixe Morto”, dizendo: “Eu desejei o meu lugar, vou agir da minha forma, quero coisas mais reais.” Ou tipo: “Sim, você ainda pode me vencer, mas você sabe que não vou desistir.” Teve outro cara que dizia: “Mesmo que às vezes eu não ache solução, mesmo que às vezes eu siga sem direção, de um lado para o outro para não me conformar, não mais perder meu tempo aqui.” Apenas por ironia, o nome da banda é Aditive... Teve um que há muito tempo disse “Pense na sua forma de agir, você é eficiente ou reage sem pensar? As consequências podem ser problemas com soluções impossíveis.” Hoje ele já não grita mais coisas desse tipo, mas tudo bem. Tem outro cara que mistura punk com violino, e diz “Tudo vai ficar bem, seja forte, acredite” e também “Eu disse que ia lutar por aquela que encontrei, e eu nunca vou desistir, não, eu nunca vou desistir” Ouvi também um maluco de bermudão e blusa xadrez repetindo várias vezes: “Eu ainda estou vivo.” E teve um mais calmo, um que não gritava muito, mas disse em alto e bom som: “E seja um tipo simples de homem, seja algo que você ame e entenda.” E não foram só palavras gritadas que me levaram até a Coragem, mas também escutei uns caras por aí, um era um lorinho agitado que dizia: “Eu não volto atrás com a minha palavra.” Tinha também um cara que sabia correr pelas paredes e tinha uma adaga que fazia o tempo voltar, que uma vez lhe disseram: “Vá e siga sua jornada, mas eu sei que sua viagem não acabará bem, você não pode mudar seu destino... Nenhum homem pode.” E ele disse: “É melhor tentar do que ficar aqui apenas esperando pela morte.” Aconteceu quando ele decidiu desafiar o Tempo. Todos esses caras continuavam tentando mesmo sabendo que a situação era difícil, mesmo tendo a melhor oportunidade para desistir eles simplesmente seguiam, e se desafiam, pois a verdade é que eles têm seus ideais. Juntando todas essas palavras e somando a frase que realmente fez toda a diferença pra mim, que é: “Vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.” Deu no que deu. Já não espero que as oportunidades simplesmente apareçam, eu continuo por essa estrada acreditando nos meus valores, agindo para tentar mudar o mundo, mesmo que só consiga mudar o meu mundo, protegendo e cultivando aquilo que mais amo e tem até vezes que eu grito meus ideais para um mundo que tende a virar as costas para mim, pois encontrei palavras que me levam até a Coragem, que me dá um combustível novo para fazer tudo isso. Hoje não dá mais pra ficar parado ou deixar só a inércia me conduzir, descobri a pouco tempo que tenho uma inquietação nos pés. Enfim, se realmente tem alguém lendo isso, e se sente um pouco impotente na hora de tomar alguma decisão, como desafiar o Tempo, eu posso dar um conselho simples que é divido em três partes, mais ou menos assim:
Primeiro: Escute as músicas certas, entenda o que o cara tá falando, ou gritando, tente se identificar com frases fortes e que façam sentido, deixe coisas como “Beber, cair e levantar” pra lá, não são o tipo de palavras que lhe levam até a Coragem.
Dois: Quando jogar vídeo game tente entender a história, se liga: Em circunstâncias normais, quais as chances que você daria pra um encanador baixinho e gordinho conseguir derrotar um dinossauro com uns centos metros que cospe fogo e fala? Mas ele foi lá e deu um sacode no bicho e ainda salvou a princesa! Quais seriam as chances de um casal entrar pela primeira vez em uma cidade que tá empestada de zumbis e coisas do gênero saírem vivos dessa? Só sei que no fim os caras ainda papocam a cidade pra não deixar a bagaça se espalhar. É só prestar atenção na determinação.
E por fim: Assista aos desenhos certos. De preferência veja os animes certos, eles mostram como uma amizade tem um valor e como você pode ser um nada e mesmo assim conseguir vencer o Medo por uma causa nobre, e se todo mundo levantar as mãos e mandar energias positivas, o mundo ainda pode ser salvo. Não lhe ensinam a se vestir de mulher e só passar a perna nos outros.
A vida pode ensinar muita coisa, e com certeza, nessa estrada, tiveram outras situações que me levaram a encontrar a Coragem, mas quando escuto os gritos de alguém que tem coragem de se expressar, quando vejo pessoas com coragem de se desafiar para mudar seus destinos ou com coragem para dar o melhor de si para proteger seus princípios, o Medo já não me parece tão forte. Deixei o Medo me impedir por muito tempo, e ainda o sinto por perto muitas vezes, mas ele já não é o suficiente para me parar. Sempre que sinto frio na barriga antes de tentar qualquer coisa, eu sei que pode ser um desafio pra mim, e automaticamente sinto mais vontade de me desafiar, pois eu aprendi a escutar a Coragem gritando “Se garanta!” mais alto em cada palavra que ouvi em músicas, jogos ou desenhos, aprendi a escutar as palavras certas para ter um outro ótimo combustível fortalecido, eficiente o suficiente para servir de impulso contra o Tempo.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Impulsionando a Felicidade contra o Tempo.
Como já foi dito, eu andei muito pra chegar onde tô agora, e manjo que falta muito pra chegar onde pretendo. Nas andanças esbarrei em um monte de gente, como já foi dito também. Mas esqueci de mencionar as vezes que me esbarrei com os caras mais legais. Vamos do ponto que eu me liguei que o Acaso poderia estar querendo me ajudar. Eu, no começo, achava que o Acaso realmente não se importava muito comigo, até perceber que isso parecia muito egoísta, pois entendi que ele é um cara ligeiro, e que se eu quisesse me sentir bem quando ele surgia, teria que aproveitar ao máximo suas rápidas aparições. Percebi isso quando eu finalmente consegui compreender o que ele sempre falava quando passava por mim, ele dizia tão rápido que eu nem entendia, ele só gritava “Bora que eu tô com pressa!”, como não entendia o que ele gritava, só deixava passar, e foi perdendo muita coisa que decidi prestar atenção no que ele dizia. Quando parei pra escutar seu grito, manjei logo que teria que pensar rápido e seguir ele correndo. Então vi que me aproveitar do Acaso seria muito proveitoso, e foi assim que percebi que ele sempre tava acompanhado. Quem sempre estava na companhia do Acaso era a Sorte. Percebendo que esses caras sempre tavam juntos, vi que o Acaso não era tão ruim quanto eu pensava, que na verdade, a bondade dele dependia mais era de mim. Então eu simplesmente aproveitava as aparições do Acaso e da Sorte o máximo que podia, sem me importar se estaria deixando o Tempo passar agindo desse jeito. Indo nessa, logo comecei a viver coisas que antes deixava passar, e até poderiam ser coisas rápidas, momentos rápidos, às vezes eram em questão de segundos, mas faziam com o que o resto das horas passasse diferente, eram coisas que pareciam tão pequenas, mas que mudavam as coisas de um jeito enorme. Momentos que me traziam um sentimento bom, me davam uma leveza, um bem estar, às vezes me davam mais vontade de fazer qualquer coisa que antes eu estivesse desanimado pra fazer, e foram nessas tantas vezes que eu me esbarrei com a Felicidade. O Acaso me mostrou a Sorte e a Felicidade, e parece que eles agem assim: O Acaso trama alguma coisa, e a Sorte faz acontecer, e acontece tudo tão rápido, de um jeito que quando acontece eu demoro pra associar toda a situação, parecendo assustado, tudo que eu consigo pensar no início é “Comé que pode?!”. Mas eu me recomponho, e me ligo que se ficar assustado posso perder a oportunidade de me aproveitar da situação, então começo a organizar as coisas pra não perder nenhum detalhe do que é que esteja acontecendo, pra ficar tudo gravado, e que mais tarde eu me lembre desses detalhes e possa aproveitar das lembranças com Felicidade, pois no fim de toda a trama do Acaso, é só ela que resta. Muitas vezes eu saio arrependido de ter perdido algum detalhe, ou ter deixado de ter feito ou dito alguma coisa, aí então, o que resta é só esperar por outra tramóia do Acaso. E esse é o grande problema, a forma que o Acaso me leva até a Felicidade é sempre uma surpresa, é algo inesperado, uma sensação boa, tão boa de um jeito que chega a viciar. Mas o Acaso não segue às minhas ordens, ele mesmo faz seu plano dar certo, e o que resta é esperar por suas aparições. Com certeza existem várias outras maneiras de encontrar a Felicidade, mas o jeito que ela vem depois das tramas do Acaso é a melhor delas, por que tem o “a mais” da surpresa, ela tá, tipo, “aditivada”.
Mas toda essa situação não me fez ficar só esperando o Tempo deixar o Acaso agir, vejo que o as ações do Acaso dependem um pouco das minhas, e quanto mais tempo eu fico parado, mais tempo ele leva para aparecer. E outra, eu busco, na verdade, outras formas de me encontrar com a Felicidade. E nessas buscas eu percebi que concordo com o velho ditado popular: “Não há caminhos para a felicidade, a felicidade é o caminho.” Na verdade, eu meio que concordo, pois vejo que ela não é um caminho, que ela serve mais como um combustível para continuar seguindo, como eu mencionei antes, a Felicidade me dá mais vontade de fazer qualquer coisa. E desse jeito eu descobri que posso encontrar esse meu combustível em qualquer lugar, seja nas pequenas aparições do Acaso, que de primeira me fazem só pensar em como esse tipo de coisa pode estar acontecendo, com a singela frase “Comé que pode?!”, e no fim encontrar “Felicidade Aditivada”, seja me perdendo nas histórias da Nostalgia, que é um jeito perigoso de encontrar a Felicidade, pois tem que saber parar de escutar antes que ela me traga a Tristeza, ou em qualquer outra besteira que me faça simplesmente sorrir, que não é uma coisa difícil. Desse jeito eu vi que usar a Felicidade como um combustível, pra mim é bem mais vantajoso, já que encontrei modos tão simples de achar-la. E me aproveito desse combustível para continuar seguindo na minha corrida contra o Tempo, pois me impulsiona mais do que qualquer outro “combustível” que já testei, e quando é aditivada, nem afeta meu motor negativamente, e ainda é renovável, nem agride o planeta.
Mas toda essa situação não me fez ficar só esperando o Tempo deixar o Acaso agir, vejo que o as ações do Acaso dependem um pouco das minhas, e quanto mais tempo eu fico parado, mais tempo ele leva para aparecer. E outra, eu busco, na verdade, outras formas de me encontrar com a Felicidade. E nessas buscas eu percebi que concordo com o velho ditado popular: “Não há caminhos para a felicidade, a felicidade é o caminho.” Na verdade, eu meio que concordo, pois vejo que ela não é um caminho, que ela serve mais como um combustível para continuar seguindo, como eu mencionei antes, a Felicidade me dá mais vontade de fazer qualquer coisa. E desse jeito eu descobri que posso encontrar esse meu combustível em qualquer lugar, seja nas pequenas aparições do Acaso, que de primeira me fazem só pensar em como esse tipo de coisa pode estar acontecendo, com a singela frase “Comé que pode?!”, e no fim encontrar “Felicidade Aditivada”, seja me perdendo nas histórias da Nostalgia, que é um jeito perigoso de encontrar a Felicidade, pois tem que saber parar de escutar antes que ela me traga a Tristeza, ou em qualquer outra besteira que me faça simplesmente sorrir, que não é uma coisa difícil. Desse jeito eu vi que usar a Felicidade como um combustível, pra mim é bem mais vantajoso, já que encontrei modos tão simples de achar-la. E me aproveito desse combustível para continuar seguindo na minha corrida contra o Tempo, pois me impulsiona mais do que qualquer outro “combustível” que já testei, e quando é aditivada, nem afeta meu motor negativamente, e ainda é renovável, nem agride o planeta.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Antes de desafiar o Tempo.
Por um bom tempo, antes de eu decidir desafiar o Tempo, eu deixei ele me conduzir pela estrada que havia me jogado, como eu já disse da oura vez. Nisso, dei muitos passos cegos por todo esse longo caminho. Muitos passos foram falsos, inseguros, e me levaram a vários tropeções. Foram muitas quedas e topadas que eu dei ao longo dessa estrada, e não foram poucas as vezes que eu caí e preferi ficar ali sendo besta, só vendo o Tempo fazendo o tempo passar. E foi nessa besteira de ficar caindo, continuar caído, tentando levantando e tropeçando de novo que eu conheci um monte de gente diferente. Muitos desses caras simplesmente só passavam por mim, poucos eram os que realmente me ajudavam. Às vezes a ajuda era de boa vontade, mas muitas vezes eles me mostravam um caminho meio torto, sorte a minha que eu conseguia enxergar as curvas da estrada ficando mais tortas antes de pisar nelas. Ainda bem, quem sabe o Tempo não me desse tempo pra voltar. Mas ainda assim eu ainda tenho um pouco de contato com alguns desses caras que conheci, e tem vezes que me pego perdendo tempo conversando com eles, mesmo que alguns deles tenham tentado me levar para caminhos tortos e sem volta. Dando um exemplo, um dos caras que me conduziram por um caminho torto foi o Ócio. O Ócio nunca me fez bem, mas eu ainda tenho contato com ele, mesmo ele continuando a não me fazer bem. Dei de cara com o Ócio numa das vezes que eu caí eu decidi ficar parado, esperando vir alguém para me levantar. E veio alguém. Ele veio, e não veio sozinho, junto do Ócio vinha a Preguiça, que ainda consegue puxar assunto comigo até hoje, mas sempre tento não dar muita trela pra ela e mudo logo de assunto. Vinha também uma que eu gosto até hoje, a Nostalgia, deveria ser a única peça boa que andava com o Ócio. Ainda hoje é uma de minhas melhores amigas, uma das únicas que me fazem perder tempo pensando no Tempo de antigamente, e ainda assim consegue não me deixar preocupado se o Tempo ta passando enquanto eu to ali só pensando nele. Mas também vinha uma das que eu menos gostei de ter conhecido, e que hoje, ainda bem, eu tenho o mínimo de contato possível, a Tristeza. Mas sempre era assim, primeiro vinha o Ócio, e ele ficava ali do meu lado sem dizer nada, só vendo comigo o Tempo fazendo o tempo passar. Sempre que o Ócio chegava era bom, por que de primeira eu aproveitava pra descansar, era minha hora de repouso, assim pensava, e me via no direito de passar mais tempo com o Ócio sem me preocupar com o Tempo. Então, sem que eu percebesse, a Nostalgia chegava, e começa e me contar histórias antigas que sempre começavam com a mesma frase: “Ei, tu se lembra quando...?”. Aí sim eu não via o Tempo passar, me perdia fácil nas conversas da Nostalgia. Eu não sei por que, mas sempre que a Nostalgia vinha, não demorava pra Preguiça chegar. Mas sempre que a via chegando me dava conta do tanto de tempo que eu tinha perdido, que o Tempo havia passado há muito tempo, e quando eu tentava ir com o ele, a Preguiça dizia: “Ei, péra aí mais um poquim!” e o pior era que eu esperava, e esse pouquinho se tornava logo um poucão, quando via lá se tinha ido o Tempo, e a Nostalgia também, só restava o Ócio e a Preguiça, então, quando eu me dava por mim, ela já estava lá do lado sem nem avisar que tinha chegado, a Tristeza. A Tristeza surgia sem ninguém notar, a Preguiça ia embora, o Ócio continuava parado e eu começa a andar em direção ao Tempo, e ela me seguia. A Tristeza nunca me disse nada, sempre que ela aparecia o tempo parecia ficar mais frio, eu me sentia mais fraco, meus passos eram mais lentos, até o momento que eu parava e passava um tempo esperando até ela ir embora por conta própria. A Tristeza chegava muda e saia calada, mas mesmo assim eu sempre escutava em minha cabeça a mesma frase, desde a hora que ela chegava até ir embora: “Tá vendo o quê você fez?”. E por muito tempo as coisas ficaram assim, a conversa começava com o Ócio sem dizer nada e terminava com a Tristeza só me observando. Até que em uma dessas conversas, quando a Tristeza chegou e me seguiu por um certo tempo, eu percebi que ela não estava sozinha, havia alguém ali com ela me fazendo sentir pior do que eu já estava. Foi então que conheci a Culpa. A Culpa, diferente da Tristeza, conversou comigo, me mostrou por que a Tristeza sempre me seguia, me disse que Ócio não era uma boa companhia e que, realmente, a Nostalgia poderia me deixar feliz, e que se eu pedisse, um dia ela poderia me apresentar à Alegria. Conversando com a Culpa, eu percebi que ela sempre esteve ao meu lado, a frase que escutava na minha cabeça era ela quem dizia. A Culpa ainda me disse que se eu continuasse deixando o Tempo passar só fazendo absolutamente nada, ela sempre iria voltar, e traria junto dela a Tristeza. E não era bem isso que eu queria. Então eu me despedi do Ócio, e ainda lhe disse que ele poderia me visitar junto da Nostalgia quando quisesse, mas se a Preguiça viesse com eles eu não iria querer conversa, preferia que da próxima vez a Nostalgia viesse com a Alegria. Daí eu continuei, corri para chegar a tempo aonde o Tempo estava, mas ainda assim, o Ócio, a Nostalgia, a Preguiça, a Tristeza e a Culpa me seguiram, e seguem até agora, nesse exato momento o Ócio está ao meu lado, mas isso não me faz desistir, pois o Tempo ainda não parou, isso significa que eu também não posso parar, afinal, eu quis lhe desafiar, então eu só posso parar quando ele não puder mais continuar.
domingo, 5 de setembro de 2010
Quando se decide desafiar o Tempo.
Todo mundo já falou sobre o Tempo, e do modo que ele está presente e sempre influenciando na vida de todo esse povo, de como já teve papeis bons e ruins pra muita gente, e da maneira que ainda sai ajudando ou prejudicando muito por aí, e comigo não é diferente. No início ele não me afetava muito, pois quando eu era mais novo, o Tempo parecia não fazer tanta diferença nas minhas escolhas, sempre dava tempo de fazer tudo, e o Tempo ainda me dava mais tempo pra fazer outras coisas. Nesse tempo, o Tempo até parecia estar ao meu lado, eu diria que até parecia ser meu amigo, e ainda me arrisco a pensar que, naquele tempo, o Tempo parecia passar bem mais devagar. Bem, na verdade ele realmente só parecia. Pois o Tempo logo me mostrou como o tempo pode passar rápido, me jogou em uma estrada sem volta para onde eu tinha acabado de sair, uma estrada que as pessoas costumam chamar de “Adolescência”. Não demorou muito para que minhas escolhas começassem a depender do Tempo, e às vezes nem escolhas eu tinha, muitas vezes o caminho para o qual ele me levava naquela estrada, não tinha bifurcações, e o Tempo não me dava tempo para voltar e procurar outro caminho, eu tinha que rapidamente seguir em frente, pois se ficasse procurando outros caminhos só estaria perdendo mais tempo. E nesses caminhos pelo qual ele me levou, com ou sem escolhas, eu comecei a ganhar e perder coisas, e até injusto ele foi comigo, pois até a algum tempo o Tempo era meu amigo, agora me jogava em caminhos muitas vezes sem retorno ou escolhas. E nessa estrada eu comecei a deixar cair coisas valiosas, e o Tempo não me dava tempo pra voltar e pegar o que tinha deixado no chão, nessa brincadeira eu fui perdendo, ou me distanciando de coisas que eram importantes pra mim, ele me afastou de alguns amigos, perdi alguns de meus princípios, certo que fiz novos amigos por esse caminho, bons amigos, diga-se de passagem, mas ninguém quer perder ou ficar longe de boas amizades, e nem quer que os seus princípios sejam forçados a serem substituídos por novos conceitos, pois nada se compara a ter a inocência no olhar, e achar que sempre vai dar tempo pra fazer tudo, e ainda sobra tempo pra outras coisas. Então, por algum tempo eu só deixei o Tempo me levar, e nessas deixadas eu acabei conhecendo um amigo dele, um que achei que não foi muito legal comigo no princípio, era o Acaso. Foi muito difícil acontecerem coisas boas que fossem obra do Acaso, vez ou outra ele me vinha com alguma surpresa boa, acompanhado da frase “Antes tarde do que nunca!”. Certo, ele ainda assim conseguia me deixar feliz, mas foram poucas as vezes que isso aconteceu. Mas essas poucas boas aparições do Acaso não foram suficientes para me deixar menos chateado com o Tempo, pois primeiro ele foi meu amigo, era mais justo comigo, me dava mais tempo pra decidir e tomar escolhas certas, me deixava até esquecer dele e passar a maior parte do tempo só fazendo nada, e agora ele me vinha com um amigo que muitas vezes eu deixei minhas escolhas nas mãos dele e na maioria dessas vezes ele preferia não me ajudar, e eu sabia que por trás disso tudo quem dava as ordens era ele, o Tempo. E quando eu percebi, já havia se passado muito tempo, e tinha deixado ele me levar muito longe sem ao menos questionar, eu vi o tanto de oportunidades, chances e escolhas que eu tinha perdido, e como eu desejei que elas voltassem, queria que o Tempo voltasse, que ele me levasse de novo pra perto de meus amigos, que devolvesse meus princípios, e que principalmente me deixasse ter de novo inocência de pensar que ele, um dia, passou devagar. Mas ele não fez isso. Ele não me deu nada de volta, e foi nessa parte que entendi que se quisesse ter de novo alguma coisa que o Tempo tinha me tirado, eu que teria que reconquistar. Foi então que tomei a decisão que mudou minha vida, foi a última vez que parei e esperei pelo Tempo, pois eu queria desafiá-lo frente a frente. Eu lhe disse que a partir de agora eu quem escolheria meus caminhos, e ele me disse que então eu teria que correr, e foi o que eu fiz. E desde então ele se tornou meu eterno rival, hoje eu me vejo numa corrida com uma distante linha de chegada, e nela estão todas as coisas que eu deixei cair, e no caminho pra ela eu ainda consigo ver novas coisas que posso conquistar. Mas o Tempo corre ao meu lado, e ele é meu único oponente, põem obstáculos no meu caminho, junto com o Acaso, que ainda acho que não é tão ruim quanto parecia ser, penso que, quando o tempo não está olhando, ele ainda me dá surpresas boas, talvez ele até me ajude, e quem sabe se torne meu parceiro um dia, não sei, mas sua ajuda viria bem a calhar. O que sei é que desde que desafiei o Tempo, ele não tem sido tão generoso comigo, parece até que o tempo passa mais rápido, e espero que só pareça mesmo, pois ainda vejo muitas coisas que ainda posso pegar nessa estrada em que ele me jogou, e tem que dar tempo de pegar tudo. Eu sou Rafael Maciel, tenho 21 anos e estudo Design Gráfico, gosto de blusas xadrez e uso alargador, mas não sou emo, eles que me imitaram, gosto de AC\DC e Rise Against, e acho que não há ensinamentos iguais aos que você aprende com videogames que a vida possa lhe dar. E eu corro para que um dia eu encontre um ponto em que possa parar e perder tempo com o que eu realmente quero perder tempo, pra conseguir isso eu tive que desafiar o tempo, virei o cara que desafiou o Tempo.
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